quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Marcas de sangue no lençol branco.

Muitas já passaram por essa cama.
Muitas
ainda me cercam e
me atormentam e
me atacam
sobre essa cama.

Jovens, velhas,
gordas, magras,
famintas.

Não sei especificar suas idades
nem procedências.
Pouco me importa,
na verdade.
Só tenho um sentimento
por elas.

Só penso em
fodê-las.

Fodê-las na cama, no chão, na parede.
Fodê-las
com raiva.

Eu realmente
odeio
todas essas malditas
muriçocas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A porra do pen drive

Ela costumava ter
uma porra de um pen drive
onde ela costumava
salvar
os poemas
que eu escrevia para ela.

Eu não sei se

ela ainda tem aquela porra
de pen drive,
eu nao sei
se ela o mantém guardado
enfiado no cú
ou se ela
simplesmente
apagou
todos aqueles poemas.

Eu não sei

simplesmente
não sei
mais nada
sobre ela.

Mas eu gostaria de saber.

domingo, 1 de novembro de 2015

Ela também merecia alguns dos meus versos

Ela e aqueles lábios pintados de
vermelho
saem na noite e fazem estragos
nas ruas de Salvador
e me liga
e me manda mensagem
e me deixa na vontade.

Ela e aquelas covinhas

nas bochechas
que me deixam
de olhos vidrados e
de queixo caído.

Ela e aquela blusa de onça

com decote provocante e
seios suculentos
seios como montanhas que
eu escalava sem
problemas
com mãos e bocas e dentes.

Ela e aqueles olhos e sorriso

distantes
que eu quero
aqui perto.

Oh, sim..

Ela também merecia alguns dos meus versos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Sobre Helena e a mecânica de disco voador

Da cocaína
da erva e
da heroína
elas são a primeira e
a décima primeira viagem.

O nirvana 
e a dependência assumida.

Mas
tem que ser a dose certa, senão

explode
senta ou
dorme.

Podem, também, ser algumas
cervejas, mas
tem que ser a quantidade certa
senão
alguém sobe na mesa
chuta a cadeira
e arma o barraco.

Elas são
poesia

poemas
limpos e
sujos e
mal escritos e
mal falados
mas
cheios de significados e
quase sempre
escritos a batom

são avassaladoras

são vozes e cabelos
e sorrisos
e musica.

são o que querem ser
até onde der para ser.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Visitas esporádicas

Ela nunca avisa quando
vai embora.
deve ser porque
na verdade
ela nunca
vai.

ela não existe

antes das 23:30.
as vezes, ela não existe
antes das 01:00.
e as vezes, ela, simplesmente,
não existe hora nenhuma

a vodka é barata, mas

o sexo
é do bom e
depois só
resta o suor
a respiração
ofegante e
o vento.

ligamos o ventilador.


e a cortina cor-de-

calcinha
cor-de-pele
dança uma valsa
desastrada.

em cima de um guarda-roupas

caindo aos pedaços
um gato de olhos arregalados
não gosta do visitante e nem
da fumaça
que sai da boca dele.

algumas pílulas de cores

diferentes
na peça ao lado

e um cinzeiro nunca

utilizado
até a minha primeira visita.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mariana chupa pinto

Depois de um dia
bastante produtivo
com cervejas, cigarros e merda
descarga à baixo
tudo o que ficou foi isso:

"Mariana chupa pinto".

Sugeri que me apresentassem
a dita-cuja:
"gostaria de ver do que ela é capaz,
eu tenho um pinto
e talvez isso seja do interesse dela."

"ah, não sei..

Mariana chupa outras coisas
também"

Pqp! Concorrência

a essa altura do campeonato
é foda.
Tô numa fase em que
preciso das coisas mais fáceis e
simples da vida.
A cerveja faz a parte dela.
Os cigarros fazem a parte deles.
E a descarga também faz a parte dela.
...

"Contei a ela sobre você.
Ela disse que vai dar um tempo com as
outras coisas, pra ajudar a acabar com você."

A dita-cuja veio,
mostrou todo o seu
potencial e
no final, a desgraçada
cravou uma faca no meu peito e
foi embora.

Morri bêbado,
entre fezes e cinzas
mas
com um sorriso no canto
da boca.

Gente boa essa Mariana chupa pinto.

terça-feira, 21 de julho de 2015

O seu "não"
me derruba
tal qual cerveja quente
mas
tudo bem
a idéia é ficar bêbado mesmo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O cursor e o coração

O cursor nessa página
em branco
berra
por atenção
implora
por algumas letras
e chora
por algumas palavras.

O cursor nessa página
em branco
pisca
à medida que o coração
em meu peito
bate.

O coração em
meu peito
berra
por atenção
implora
por algumas letras
e chora
por algumas palavras.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

a garota do coração com cadeado

'Você e eu temos muito
em comum', eu disse
'a diferença é que você é bonita'.
Ela riu, deu de ombros e
agradeceu o elogio
mas
pareceu não dar muita bola
para o que eu dizia.
'Não sei se isso faz muita diferença',
ela disse.

'É claro que faz',
encerrei a conversa.

Justiça seria feita se acabássemos na
cama
matando
um a solidão do outro
trocássemos telefonemas e
transássemos de novo
marcássemos um encontro no almoço e
transássemos de novo
marcássemos um cineminha e
transássemos de novo

Mas há uma diferença entre nós.

Depois disso
o telefone dela continuou
a tocar
os convites continuaram
a chegar
e ela topava os que mais lhe
agradavam
e pelo menos por algumas noites
sob as luzes de uma balada
qualquer
sob o gelo seco
com aquele cheiro insuportável
e sob o ritmo alucinante
de uma música ensurdecedora, ela
esquecia o passado e parecia
feliz.

Meu telefone não toca há meses.

terça-feira, 31 de março de 2015

E os dias
que eu passo
acordado
a madrugada inteira
a nuvem inteira
a lua cheia
e cada
uma
das
estrelas
tenta me convencer
que você é minha
não pela metade,
mas
por inteiro
me descubro
convencido
por mim mesmo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Sorte no jogo, azar no amoR

Estou numa maré de azar.
Apesar de ter ganhado o bolão da empresa
Apesar de meu time ter levado a taça
Até bingo, se eu jogar,
Ganho, sem marmelada.
Talvez, eu devesse jogar na Mega
Ou quem sabe
Amar a pessoa certa.