A batida do coração
A goteira na cabeceira
O grilo da madrugada.
Um olho aberto
Um suspiro chateado
E uma espreguiçada.
O estalo do pescoço
O ruído da cama
Uma janela aberta.
A brasa do cigarro
Um suspiro relaxado
A fumaça em espiral
Uma olhada para trás
Uma cama vazia
Duas pessoas cabiam
Um lado arrumado
O cigarro acabando
E a paciência também
Pega o telefone
Olha por um minuto
Procura na agenda
O número de quem
Deveria ter ligado
Poderia estar ali
Um sinal do telefone
Uma bateria descarregada
Dois dedos queimados
Um sopro de raiva
Uma bituca arremessada
Uma espiral bagunçada
Junto com a bituca
A coragem
Levou com ela lembranças da madrugada
Uma janela fechada
Um ruído da cama
Cada vez maior
Dois olhos abertos
Que é para não dormir
Sonhos não se controlam.
Vira para o lado da cama
Que estava frio
A goteira na cabeceira
Que nunca existiu
O grilo da madrugada, na verdade era
A batida de um coração que se partiu.
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