quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O grilo da madrugada

A batida do coração
A goteira na cabeceira
O grilo da madrugada.

Um olho aberto
Um suspiro chateado
E uma espreguiçada.

O estalo do pescoço
O ruído da cama
Uma janela aberta.

A brasa do cigarro
Um suspiro relaxado
A fumaça em espiral

Uma olhada para trás
Uma cama vazia
Duas pessoas cabiam

Um lado arrumado
O cigarro acabando
E a paciência também

Pega o telefone
Olha por um minuto
Procura na agenda

O número de quem
Deveria ter ligado
Poderia estar ali

Um sinal do telefone
Uma bateria descarregada
Dois dedos queimados

Um sopro de raiva
Uma bituca arremessada
Uma espiral bagunçada

Junto com a bituca
A coragem
Levou com ela lembranças da madrugada

Uma janela fechada
Um ruído da cama
Cada vez maior

Dois olhos abertos
Que é para não dormir
Sonhos não se controlam.

Vira para o lado da cama
Que estava frio

A goteira na cabeceira
Que nunca existiu

O grilo da madrugada, na verdade era
A batida de um coração que se partiu.

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