segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Could we find love in a hopeless place?

Ainda que eu fizesse esforço
para não reparar naquele
sorriso
meus olhos só veriam aquilo.

Ela não fazia esforço nenhum
para parecer o que é, e eu
fiquei pensando porque
todos não somos
assim

As vezes, você bebe
demais
se impressiona com coisas que
não existem e
se arrepende ou
esquece tudo no dia seguinte

Não foi o caso

Continua tudo muito claro
na minha cabeça e
não me arrependo de nada
exceto, talvez, de ter tentado
beijá-la no final da noite
mas
também não consigo me culpar por isso.

Houve um abraço sincero
no início da noite e
outro
no final

não houve beijo
mas o som daquela voz e
o perfume daqueles cabelos
me acompaham até hoje.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Hábitos e cicatrizes

Cada sopro da fumaça
do cigarro
é uma chance
desperdiçada
de dizer a ela que eu a amo.

ela odeia cigarros.

Eu não gosto de como ela fala
mal
da vida alheia
e ela não vê graça nas minhas
tatuagens
Fomos feitos um para o
outro
mas nossos hábitos e
cicatrizes não nos deixa
perceber isso.

Tenho marcas no rosto
e mais algumas
em outras partes do corpo.
Ela só tem uma
pouco abaixo da barriga
de uma apendicite
operada na infância.
parece que nunca ralou os joelhos quando criança

Eu odeio com toda força a cicatriz de
apendicite dela
mais ainda que o urso que me atacou quando criança

Que porra houve com seu rosto,
ela pergunta
entre um copo e outro.
Um urso me atacou quando criança,
eu respondo

Ela ri e nos beijamos.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Algo sério

É foda. Outro dia
descobri que a garota com quem
eu estava saindo há 2meses
tinha
uma sextape vazada nas redes.

Descobri da pior maneira possível
no grupo dos brothers
que nem a conhecem

Nem sou de baixar vídeos desse conteúdo
mas
de vez em quando, você sabe

De repente me dei conta de que
a bunda que eu demorei
3 encontros
para poder ver
estava ali
para quem quisesse.

Procurei
a maneira mais delicada para
falar sobre o
assunto
mas acho que não há
fórmula de sucesso para essas
coisas.

Nem para perguntar
Nem para responder

Ela negou
aquela bunda pálida, linda
e inconfundível, que eu demorei
3 encontros para conhecer
ela negou
o rosto, a tatuagem e os cabelos

Vergonha, pensei
Entendo

Eram dois rapazes
mais
velhos do que eu
lambendo os beiços
se é que me entendem
Ela pedia que batessem
e eles batiam
e ela babava, se engasgava e
olhava para a câmera
levantando os dois dedos da paz
e do amor
Depois pediu 'vem 3 pé!'
E eu: meu Deus, quem será '3 pé'?
De repente a câmera foi posta num
lugar e
quem antes filmava, foi juntar-se
a brincadeira.
Agora eram 3 rapazes
maiores do que eu
se é que me entendem
e um deles chamava-se '3 pé'
E eles estavam
mandando ver
mostrando como se acaba
com um romance que
ainda
nem tinha começado.

Sim, eu disse romance.
Eu já estava caidinho
por ela
E ela se dizia por mim
E ela falava de amor
e dizia que procurava algo sério

Algo sério eu encontrei
2meses depois

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Champanhe, cigarros e peitos sorridentes

Aconteceu numa festa que não sei ao certo o que estava sendo comemorado. Lembro de um palco, uma bandinha tocando e cantando lá de cima, e de muita gente ao meu redor, andando, correndo, dançando sem parar. Tive a impressão de que a maioria das pessoas vestia branco. Não tenho certeza. Eu já estava bêbado àquela altura. Nessas ocasiões, diga-se de passagem, isso é o que eu faço de melhor.
  Eu acompanhava a batida do som com um dos pés, sacudindo o corpo, mas sem sair do lugar. Eu só estava tentando ser um deles. Nunca sei como me comportar nesses lugares, me sinto perdido quando fico sozinho. Senti um cheiro doce se aproximando, quando alguém me puxou pelo braço e me salvou. Girei o corpo tentando me equilibrar para evitar que a bebida que estava na outra mão caísse. Seria um péssimo começo. Passei os olhos na moça: negra, baixa, lábios carnudos, não deu pra conferir a bunda, mas os peitos gritavam desesperadamente para sair daquela blusa. Talvez fosse uma conhecida. Talvez. Não sei ao certo. Bom, ela queria dançar. Colei meu corpo no dela, passei a mão que segurava a bebida por trás da sua cintura e arrisquei alguns passos. Dois para lá, dois para cá, cheiro no cangote, sorriso no rosto, e nossas bocas já estavam coladas. Abri os olhos, por um instante, para tentar me lembrar de onde eu estava e o que estava acontecendo. Foi uma péssima idéia. O mundo girava numa velocidade tão grande, que parecia impossível de acompanhar. Quando dei por mim, eu já estava beijando a testa da moça. Tornei a fechar os olhos e deixei o instinto me guiar de volta à sua boca.
  Depois, caminhávamos por uma estrada de terra. O som continuava ao fundo, a multidão ainda corria, andava e dançava, enquanto nós nos afastávamos. Chegamos na entrada de algum lugar e pude reconhecer uma porteira de madeira. Tudo bem, tudo bem... estávamos de volta ao camping onde eu estava alojado com a turma. Pensando bem, talvez aquela moça fosse mesmo alguma conhecida, que me trouxera de volta para "casa". Talvez. Passei o olho nela outra vez: Ela estava de saia, tinha pernas grossas e uma boa bunda. Acho que vou me dar bem hoje, pensei.
  Entramos numa das barracas de camping. Não era a minha barraca. Talvez até fosse, mas eu não estava em condições de decidir. Aquela barraca parecia mais espaçosa, tinha uma varanda com jarros e um teto solar. Tinha uma mochila verde, lá dentro, e também não era minha, mas o que importa mesmo é que quando voltei os olhos para a moça, ela já estava sem blusa. Ela tinha libertado aquele par de peitos que haviam sido reprimidos o dia inteiro. Olhei para eles. Eles estavam felizes e sorriam para mim. Fui na direção dela, tropecei na mochila que estava no chão, e caí de boca naqueles peitos sorridentes. A dona permitiu que eu me esbaldasse por uns instantes, mas depois me puxou pelos cabelos, perguntando se eu já estava duro, pois não tínhamos muito tempo. Ela foi desfivelando o meu cinto e baixando a minha bermuda, e meu pau pendeu para frente e para baixo. Mais parecia um lutador abatido. Ela fez cara de quem não gostou do que viu. Eu também não gostei. Aqueles peitos sorridentes mereciam mais respeito e uma ereção por antecipação, mas não teve jeito. Talvez fosse a bebida. Talvez. Bom, o fato é que a moça ia ter que fazer algo mais se quisesse exigir alguma coisa. Não pensou duas vezes. Colocou ele na boca e começou a sacodi-lo com uma mão. Com a outra acariciava as minhas bolas. Não demorou muito e ela já estava com a boca bem mais ocupada. Lambeu, beijou, depois olhou para mim, satisfeita, e eu sorri de volta.
  Quando ela pensou em tirar ele da boca, eu a empedi, segurando-a pela cabeça. Ela deu uma engasgada e me afastou, dizendo que não tínhamos muito tempo e que ela não era de engolir porra de qualquer um. Eu não fazia idéia do que ela estava falando, mas tudo bem. Ela foi para o chão e ficou de quatro à minha espera. Não perdi tempo e peguei ela por trás. Ela deu um gemido longo e excitante seguido de um suspiro. Dei mais uma, duas, três bombadas e na quarta ela me afastou. "Cadê a porra da camisinha?". Achei a pergunta insensata. Eu mal fazia idéia de onde eu estava, imagina o pacote de preservativos. Dei de ombros. Ela levantou chateada, e tornou a chupar o meu pau. "Porra. Você é foda." - ela disse, chateada. "Porra. Você é foda" - eu disse, elogiando-a pela atitude compreensiva. Ela chupava a todo vapor, pedindo para eu gozar logo. Até que enfim eu estourei o champanhe e ela bebeu tudo de bom grado. Pelo visto, eu tinha deixado de ser qualquer um. Ouvi fogos de artifício estourando lá fora. A cidade comemorava a minha gozada e eu nem conhecia metade das pessoas que estava lá fora. Arriei de joelhos, deitei e dormi. Ela fez o contrario: levantou-se, vestiu as roupas e deu o fora. Voltou cerca de dez minutos depois, me acordando e pedindo para eu ir embora. Perguntei se ela tinha cigarros. Ela vasculhou a mochila verde, me deu uma carteira quase completa e me mandou dar o fora.
  Eu saí da barraca, caminhei alguns metros, me sentei encostado numa árvore e acendi um cigarro. Logo depois apareceu um cara junto com a moça que esteve comigo momentos antes. Eles estavam discutindo. Ela disse que havia saído para fazer xixi e que tinha se perdido dele na festa. O rapaz tentava entrar na barraca, mas ela o impedia. Discutiram por mais algum tempo, depois ele entrou na barraca e saiu com a mochila verde nas costas. As pessoas olhavam. Ele estava realmente chateado pelo fato d'ela ter saído para fazer xixi e ter se perdido dele. Aquela era para ser uma noite especial para o casal, ele dizia. Imagina se ele descobre que ela me deu sua carteira de cigarros, pensei. Bom, eu não estava interessado em saber o resto da história. Levantei e fui embora.
 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Sem título

  Acordou e sentiu que tudo ainda girava.
Era o segundo dia seguido que acordava com ressaca e uma dor de cabeça, quase insuportável, o fazia desejar a morte. Pegou o último cigarro que lhe restara, chamou o cachorro e saiu para a rua.
  6:37h da manhã e pessoas faziam Cooper. Por mais absurdo que possa parecer, pessoas acordam cedo por vontade própria e fazem exercícios. Era estranho, mas a dor de cabeça não permitia que ele pensasse muito a respeito disso tudo. Soltou a coleira do cachorro e o deixou correr, cagar e mijar à vontade. Acendeu o cigarro e sugou toda fumaça possível. Suas bochechas secaram, os olhos fecharam, a brasa da ponta do cigarro aqueceu e brilhou como quem grita pedindo arrêgo. Deu uma tragada, levantou a cabeça e, ainda sem abrir os olhos, soprou toda a fumaça para cima. A cabeça ainda doía e sua mente estava um caos, mas seu corpo finalmente parecia relaxado.
  Quando abriu os olhos, uma mulher de meia-idade com roupas de academia aproximou-se: "Enquanto todos estamos prolongando a vida, você está acelerando a morte." Ela conseguiu dizer isso tudo, ainda correndo, mas sem sair do lugar, enquanto gesticulava apontando para o cigarro e para os demais corredores que passavam por perto. "Cada um faz o que pode", respondeu, passando o olho pelo corpo da mulher. Era alta, magra, coxas finas e seios pequenos, mas com uma boa bunda e uma excelente postura. A cara era feia, mas tinha classe. Pensou que podia ser uma boa última foda antes da morte. Tentou pensar em alguma maneira de convencê-la a ir até seu apartamento e fazerem sexo, para que enfim pudesse morrer em paz. Mas a dor de cabeça, que sentia, bloqueava qualquer esforço da mente. Resolveu jogar o cigarro fora, já que ela havia dado a entender que não gostava daquilo. Soltou o cigarro no chão e pisou certificando-se que o tinha apagado. Quando levantou o olhar, a mulher já estava a alguns metros de distância, de volta à sua corrida matinal.
  Lamentou pelas perdas do cigarro e da última foda antes da morte. Um pouco mais pelo cigarro.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Descartáveis

Eu que pensava que
os papéis da faculdade não teriam mais
serventia
meses depois de ter abandonado o curso me deparo com
belos cinzeiros descartáveis.

Todos os dias amasso páginas
e mais páginas
de papéis, de orgulho e de expectativas
passadas

descarto as cinzas
a vida
queimo as letras
o dedo
as histórias, os contos, os sonhos
e os poemas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Ela dizia que queria escrever
sobre
amores e dissabores que lhes atormentam até hoje.
Eu a olhava nos olhos
e consiguia ver 
a agonia
a insegurança
e o amor
tudo num só pote
de alma
que transbordava
e com as mãos em concha
eu tentava
pegar um pouquinho daquele
Amor
pra mim.