segunda-feira, 26 de junho de 2017

Champanhe, cigarros e peitos sorridentes

Aconteceu numa festa que não sei ao certo o que estava sendo comemorado. Lembro de um palco, uma bandinha tocando e cantando lá de cima, e de muita gente ao meu redor, andando, correndo, dançando sem parar. Tive a impressão de que a maioria das pessoas vestia branco. Não tenho certeza. Eu já estava bêbado àquela altura. Nessas ocasiões, diga-se de passagem, isso é o que eu faço de melhor.
  Eu acompanhava a batida do som com um dos pés, sacudindo o corpo, mas sem sair do lugar. Eu só estava tentando ser um deles. Nunca sei como me comportar nesses lugares, me sinto perdido quando fico sozinho. Senti um cheiro doce se aproximando, quando alguém me puxou pelo braço e me salvou. Girei o corpo tentando me equilibrar para evitar que a bebida que estava na outra mão caísse. Seria um péssimo começo. Passei os olhos na moça: negra, baixa, lábios carnudos, não deu pra conferir a bunda, mas os peitos gritavam desesperadamente para sair daquela blusa. Talvez fosse uma conhecida. Talvez. Não sei ao certo. Bom, ela queria dançar. Colei meu corpo no dela, passei a mão que segurava a bebida por trás da sua cintura e arrisquei alguns passos. Dois para lá, dois para cá, cheiro no cangote, sorriso no rosto, e nossas bocas já estavam coladas. Abri os olhos, por um instante, para tentar me lembrar de onde eu estava e o que estava acontecendo. Foi uma péssima idéia. O mundo girava numa velocidade tão grande, que parecia impossível de acompanhar. Quando dei por mim, eu já estava beijando a testa da moça. Tornei a fechar os olhos e deixei o instinto me guiar de volta à sua boca.
  Depois, caminhávamos por uma estrada de terra. O som continuava ao fundo, a multidão ainda corria, andava e dançava, enquanto nós nos afastávamos. Chegamos na entrada de algum lugar e pude reconhecer uma porteira de madeira. Tudo bem, tudo bem... estávamos de volta ao camping onde eu estava alojado com a turma. Pensando bem, talvez aquela moça fosse mesmo alguma conhecida, que me trouxera de volta para "casa". Talvez. Passei o olho nela outra vez: Ela estava de saia, tinha pernas grossas e uma boa bunda. Acho que vou me dar bem hoje, pensei.
  Entramos numa das barracas de camping. Não era a minha barraca. Talvez até fosse, mas eu não estava em condições de decidir. Aquela barraca parecia mais espaçosa, tinha uma varanda com jarros e um teto solar. Tinha uma mochila verde, lá dentro, e também não era minha, mas o que importa mesmo é que quando voltei os olhos para a moça, ela já estava sem blusa. Ela tinha libertado aquele par de peitos que haviam sido reprimidos o dia inteiro. Olhei para eles. Eles estavam felizes e sorriam para mim. Fui na direção dela, tropecei na mochila que estava no chão, e caí de boca naqueles peitos sorridentes. A dona permitiu que eu me esbaldasse por uns instantes, mas depois me puxou pelos cabelos, perguntando se eu já estava duro, pois não tínhamos muito tempo. Ela foi desfivelando o meu cinto e baixando a minha bermuda, e meu pau pendeu para frente e para baixo. Mais parecia um lutador abatido. Ela fez cara de quem não gostou do que viu. Eu também não gostei. Aqueles peitos sorridentes mereciam mais respeito e uma ereção por antecipação, mas não teve jeito. Talvez fosse a bebida. Talvez. Bom, o fato é que a moça ia ter que fazer algo mais se quisesse exigir alguma coisa. Não pensou duas vezes. Colocou ele na boca e começou a sacodi-lo com uma mão. Com a outra acariciava as minhas bolas. Não demorou muito e ela já estava com a boca bem mais ocupada. Lambeu, beijou, depois olhou para mim, satisfeita, e eu sorri de volta.
  Quando ela pensou em tirar ele da boca, eu a empedi, segurando-a pela cabeça. Ela deu uma engasgada e me afastou, dizendo que não tínhamos muito tempo e que ela não era de engolir porra de qualquer um. Eu não fazia idéia do que ela estava falando, mas tudo bem. Ela foi para o chão e ficou de quatro à minha espera. Não perdi tempo e peguei ela por trás. Ela deu um gemido longo e excitante seguido de um suspiro. Dei mais uma, duas, três bombadas e na quarta ela me afastou. "Cadê a porra da camisinha?". Achei a pergunta insensata. Eu mal fazia idéia de onde eu estava, imagina o pacote de preservativos. Dei de ombros. Ela levantou chateada, e tornou a chupar o meu pau. "Porra. Você é foda." - ela disse, chateada. "Porra. Você é foda" - eu disse, elogiando-a pela atitude compreensiva. Ela chupava a todo vapor, pedindo para eu gozar logo. Até que enfim eu estourei o champanhe e ela bebeu tudo de bom grado. Pelo visto, eu tinha deixado de ser qualquer um. Ouvi fogos de artifício estourando lá fora. A cidade comemorava a minha gozada e eu nem conhecia metade das pessoas que estava lá fora. Arriei de joelhos, deitei e dormi. Ela fez o contrario: levantou-se, vestiu as roupas e deu o fora. Voltou cerca de dez minutos depois, me acordando e pedindo para eu ir embora. Perguntei se ela tinha cigarros. Ela vasculhou a mochila verde, me deu uma carteira quase completa e me mandou dar o fora.
  Eu saí da barraca, caminhei alguns metros, me sentei encostado numa árvore e acendi um cigarro. Logo depois apareceu um cara junto com a moça que esteve comigo momentos antes. Eles estavam discutindo. Ela disse que havia saído para fazer xixi e que tinha se perdido dele na festa. O rapaz tentava entrar na barraca, mas ela o impedia. Discutiram por mais algum tempo, depois ele entrou na barraca e saiu com a mochila verde nas costas. As pessoas olhavam. Ele estava realmente chateado pelo fato d'ela ter saído para fazer xixi e ter se perdido dele. Aquela era para ser uma noite especial para o casal, ele dizia. Imagina se ele descobre que ela me deu sua carteira de cigarros, pensei. Bom, eu não estava interessado em saber o resto da história. Levantei e fui embora.
 

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