quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Eu quero você

Eu quero você
Quero o seu sentimento
mais profundo e mais sincero.
Aquele que ninguém conhece.

Quero sentir o seu hálito quente
no meu pescoço
me desejando um bom-dia, nas manhãs frias
e quero
que me tire a roupa
nos dias quentes

Quero poder fazer o mesmo por você
ver o pôr-do-sol
ao seu lado
Quero que me tire o violão do colo
porque o lugar é seu

Quero tardes de pós-sexo
sob o mesmo lençol
fazendo carinho e
dizendo "eu te amo"

E outras
regadas a piadas que ninguém acha graça
só a gente.

sábado, 19 de julho de 2014

O paradoxo que é amar o autor

Não me ame não!
Continue não me amando
e eu vou continuar deliciosamente
viciado
nisso que você sente por mim
(Seja lá o que isso for)

Não me ame nao!
Apenas continue não me amando
É só o que lhe peço
para que eu possa continuar
a escrever estes poemas.
...
Tenho medo de altura
de 'andar de moto'
de baratas (voadoras)
e de overdose
(de amor)

Ps: (in)felizmente, nós dois sabemos que um viciado deseja sempre uma dose maior.

Mas então
eu vou acabar morto, afinal?
Talvez.

Feliz
Com certeza.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Maranhão

Maranhão
Por que és tão longe, meu caro ?
Você guarda um "tu", aí contigo
que eu quero muito ter
aqui, comigo.

Diz pra ela, meu amigo...

Diz que eu quero aquele bico
aquela voz, aquele corpo
e até o cabelo roxo.

Pode pintar de preto ou loiro...

Pintar a boca, ou não
Pode pintar como e onde quiser
inclusive, aqui
do meu lado.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Nada como uma cerveja após a outra.

Depois
de ver o que não queria
de rir pra fora
e chorar por dentro
de aparentar serenidade
e se afogar em copos de cerveja
de querer mostrar indiferença
quando na verdade, se importava com aquilo
mais que qualquer outra coisa que aconteceu
naquele dia

Ela percebe que, o que tinha visto
era o que queria desde o início.
O susto fez do corte,
cicatriz
e o dia seguinte pareceu normal.

Nada como uma cerveja após a outra.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quando o álcool acaba

Braços abertos para abraços
Bocas em bicos para beijos
Resenhas e camaradagens
Música e cantoria, mas...

Quando o álcool acaba
E o tédio lhe domina
E o cigarro lhe falta
E o ar que respira
Do nariz, não passa

Não escreva cartas
Não compre pão
Não leia gestos
Nem dê bom-dia, na rua

Não trate mal
Sem motivo algum
Quem está acostumado
Com seu riso fácil
E com seu cheiro forte.

domingo, 13 de abril de 2014

Armadilha

Velho,
sinto que estou caindo numa velha armadilha

Jurei pra mim mesmo que não iria deixar isso acontecer
de novo
Jurei que nunca mais escreveria sobre isso também.

Velho,
a armadilha é velha, mas o sentimento também é antigo
infelizmente.
Porque o novo me atrai
a adrenalina e a expectativa,
me atraem
como ela me atrai.

Mas para essa armadilha
minha velha conhecida
minha puta-de-esquina
minha desgraça anunciada

Como num último trago
sou freguês nato
cliente vip
com carteirinha e tudo.

domingo, 30 de março de 2014

Salve Jorge!

O cabelo dela me faz lembrar do vinho que eu bebi ontem.
O vinho, tinha nome de santo, mas
Ela, de santa, não tem nada.
Dividi com mais dois amigos, o vinho.

O vestido dela me faz lembrar do vinho que eu bebi ontem.

Verde, mas sem o nome do santo na frente
Porque ela, de santa, não tem nada.
Dividi com mais dois amigos, o vinho.

O perfume dela me faz lembrar do vinho que eu bebi ontem

Barato e com nome de santo, mas
Ela, de santa, não tem nada.
Dividi com mais dois amigos, o vinho.

A cerveja que eu ofereci pra ela, parece com ela também.

Fria,
ela lê estes versos, recusa o copo, diz que prefere vinho
Pega a garrafa verde, vira alguns goles no gargalo e me chama de volta pra cama.

O vinho,

ela bebeu todo sozinha.
Ela,
eu dividi com mais dois amigos.

terça-feira, 4 de março de 2014

Quem disse que eu não lembrei dela hoje ?

Quem disse que eu não lembrei dela hoje ?
Lembrei, sim! quando assisti a novela
Na cena do casal que não deu certo.

E na cena do casal apaixonado, que certamente terá um final feliz
Eu lembrei dela também.

Quem disse que eu não lembrei dela ?
Hoje, eu acordei sem querer acordar
Porque ela estava lá
No meu sonho.

Ela ainda está.
Eu sonho acordado de vez em quando.

Quem disse que eu não lembrei ?
Dela, hoje, reli aquele bilhete
De letras rosas e coraçõezinhos
Pedindo para eu não esquecer.

Amassei, rasguei, joguei fora o tal bilhete
O mesmo não pude fazer com o pedido.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Um tiro pra cima


Um tiro pra cima
Uma corrida esperta
Um sorriso maroto
Em quem pegar, pegou.
                     
Parece que é assim que ela faz
Quando passa.

Arrasta
Olhares
Saliva
Suspiros.

Não se deixe enganar.
Segure o coração
Feche os olhos
Dê uma corrida esperta.

Aliás
Retiro o que disse.
Reze.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Alguém para alimentar o ego (+18)

Ela quer ter um alguém para alimentar o seu ego
E um ninguém para comer o seu cu e gozar na sua boca

Ela quer ter alguém, só pra dizer que tem.
Mas só o ninguém, aperta as suas tetas
E chupa a sua boceta.

Alguém para dizer que duvida do amor
E um ninguém para chamá-la de puta
E marcar a próxima foda.

Alguém que saiba fazer cafuné
Que a faça relaxar, deitada no colo, tirando um cochilo
Depois da surra que tomou de ninguém

Ela é meiga, piranha, princesa e putona.
Ela é a paixão dos idiotas
E a diversão dos retardados.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O grilo da madrugada

A batida do coração
A goteira na cabeceira
O grilo da madrugada.

Um olho aberto
Um suspiro chateado
E uma espreguiçada.

O estalo do pescoço
O ruído da cama
Uma janela aberta.

A brasa do cigarro
Um suspiro relaxado
A fumaça em espiral

Uma olhada para trás
Uma cama vazia
Duas pessoas cabiam

Um lado arrumado
O cigarro acabando
E a paciência também

Pega o telefone
Olha por um minuto
Procura na agenda

O número de quem
Deveria ter ligado
Poderia estar ali

Um sinal do telefone
Uma bateria descarregada
Dois dedos queimados

Um sopro de raiva
Uma bituca arremessada
Uma espiral bagunçada

Junto com a bituca
A coragem
Levou com ela lembranças da madrugada

Uma janela fechada
Um ruído da cama
Cada vez maior

Dois olhos abertos
Que é para não dormir
Sonhos não se controlam.

Vira para o lado da cama
Que estava frio

A goteira na cabeceira
Que nunca existiu

O grilo da madrugada, na verdade era
A batida de um coração que se partiu.